segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Sobre (in)visibilidades

O contato com a diversidade na infância evita certos tipos de estranhamento desde cedo. Do mesmo jeito que a criança aprende a achar algo 'esquisito', ela aprende a achar normal. A criança vai sim ao brinquedo "procurando coisas". Os/as bonecos/as são, também, um ambiente em que a criança busca sua identidade. E o que geralmente elas encontram?




Não são genitálias, mas são corpos que seguem um padrão de beleza, são "homens" musculosos, "mulheres" magérrimas e peitudas, e ambos predominantemente com um padrão de traços europeu – branco, diga-se de passagem-, mulheres de cabelos compridos ou cortes "femininos", homens de cabelos curtos e cortes "masculinos", roupas com cores "de mulher ou de homem", ou seja uma enorme imposição de gênero. Mas ok, há aqueles brinquedos que têm como objetivo transmitir ao máximo a realidade, através das expressões das e dos bonecos e bonecas, de sua pele, forma, seus movimentos e até sons. E nestes há sim genitália. Mas claro, uma genitália normatizante, binária. 


Sequer* se considera a/o intersexo, que já nasceu com a genitália "ambígua", imagine só quem, desde pequeno/a, já sofre com a falta de identificação com seu corpo (trans)? E todos eles e elas brincam!** E até em seu brinquedo não encontram um lugar confortável. Volto a afirmar: o contato desde cedo com as diferenças, redireciona o estranhamento: estranha-se o preconceito e não o diferente.


Existem no mundo pessoas cadeirantes, existem pessoas com “falta de membros”, existem pessoas negras, pessoas cuja genitália desviam da norma social, existem pessoas velhas, "feias", “gordas”, com Síndrome de Down... enfim, ELAS EXISTEM! A criança, assim como qualquer outra pessoa, irá interagir com elas em algum momento, não é mesmo?! Qual o problema em representá-las? Não seria a falta de representação, no sentido imagético mesmo, uma das causas do sofrimento psíquico de muitas delas? Porque a beleza refere-se somente as pessoas ditas normais, que se sentem inclusive no direito de desrespeitar e denominar quem não se parece com elas de anômalos/as e outras babaquices mais?


*Sequer porque, diferente dxs trans, essas pessoas já nascem com as duas genitálias mais ou menos desenvolvidas. É, portanto, um aspecto fisiológico, tão adorado pelxs biologicistas e religiosos da depressão, tão utilizado pra justificar preconceitos: “O que deus fez, homem não muda”, “não se pode ir contra a natureza” e bla bla bla...

**Acredito que a maioria dessas crianças realizem a cirurgia antes de entrarem em contato com sua genitália, mas somente de pensar nas condições sociais das crianças no mundo todo fica óbvio que nem todas passam por cirurgia ao nascer. Em ambas as circunstâncias, devemos pensar nos discursos ouvidos por elas, que por vezes revelam, posteriormente, sobre sua mudança.
Dificilmente uma criança que não têm condições de adquirir brinquedos, não entra em contato com eles por outros meios.
Ficam aí várias sugestões de pesquisa! ;)

Um pouquinho mais sobre os assuntos:

Ø Moda inclusiva:
(Não gosto do “Who is perfect” , mas confesso que chorei com as expressões das pessoas...)

Ø Deficiência não define, o gozo é inteiro:

Ø Mulheres negras , deficiência e invisibilidade:

Ø Filme XXY, Dirigido por Lucía Puenzo


Texto escrito por Enoe Isabela com ajuda de Matheus França que está correndo loucamente pra fazer o TCC, mas ainda conseguiu um tempinho pra ajudar! Ambos integrantes do Coletivo Fluidez.

sábado, 30 de novembro de 2013

Debate sobre o filme Cisne Negro


Ontem houve o debate conduzido por Giórgia Neiva sobre o filme Cisne Negro (sob direção de Darren Aronosfky), no Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás. O debate saiu da esfera do binarismo patologia x normalidade, uma vez que a debatedora fez questão de trazer outro e novo olhar para o filme: a perspectiva de amadurecimento da saída da adolescência para a fase adulta, que nunca acontece sem dor e angústia.

Ademais, dentro dessa perspectiva, a debatedora abordou as nuances psicológicas dos transtornos alimentares anorexia e bulimia que, visto sob prisma psicanalítico, trata-se de uma recusa em amadurecer um corpo libidinal e desejante.

O debate teve a pretensão de explorar os assuntos da(s) corporalidade(s) que é tão atual, posto que vivemos em uma sociedade que alimenta o discurso da estética e da beleza. A participação do público enriqueceu o debate com vários outros olhares pertinentes ao corpo, ao gênero e à sexualidade.

Agradecemos a participação de todxs!
Até a próxima!


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Projeto Cinema no Museu Antropológico

Folder feito por Matheus França.

O debate será conduzido por Giórgia Neiva, dia 29 de novembro de 2013, às 14 h, no Museu Antropológico – UFG. Entrada Franca!!

Black Swan (Brasil: Cisne Negro), origem EUA, 103 minutos de duração, é um filme de suspense e drama psicológico estadunidense dirigido por Darren Aronofsky e estrelado por Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey e Winona Ryder.


Sinopse: Beth Macietyre (Winona Rider), a primeira bailarina de uma companhia, está prestes a se aposentar. O Posto fica com Nina (Natalie Portman), mas ela possui sérios problemas pessoais, especialmente com sua mãe (Bárbara Herhey). Pressionada por um exigente diretor artístico, ela passa a enxergar uma concorrência desleal, vindo de suas colegas, em especial Lilly (Mila Kunis). Em meio a tudo isso, busca a perfeição nos ensaios para o maior desafio de sua carreira: interpretar a rainha Cisne em uma adaptação de “O Lago dos Cisnes”.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

"Gostar de homens com vagina não faz de você menos gay"

Início da Roda de Conversa. 
Fotografia por Matheus França.

Alexsandro Fernandes e Matheus França conduziram o debate promovido pela Roda de Conversa na Feira de Troca (de olhares), Faculdade de Letras – Universidade Federal de Goiás e, assim, Coletivo Fluidez marcou presença em mais um evento que se dispõe a falar de diversidades sexuais.

À propósito dessa reportagem (CLIQUE AQUI), o diálogo começou com questionamentos sobre as identidades de gênero e as orientações sexuais que não se engessam em categorias e classificações. Porém, é possível não classificar? E, ao classificar, é possível abarcar todas as diversas diferenças? Classificar ajuda a produzir preconceitos e estigmas? O que é necessário ser feito para haver respeito por aquelas e aqueles que não estão dentro dos padrões da  heteronormatividade sexista?

O debate girou em torno dessas questões e a participação do público foi rica em exemplos, em histórias de vidas, em diálogos com perspectivas teóricas e movimentos sociais.

Dentre os questionamentos apontados no diálogo (ou dia-logos), algo é consensual e unânime: para que as diversidades sexuais sejam reverenciadas, é necessário respeitar a individualidade, escolhas pessoais e opções de cada um/a. E nós, do Coletivo Fluidez, abraçamos essa causa!

Até a próxima!


Coletivo Fluidez.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Fluidez na Feira de Troca (de olhares)


ATENÇÃO, BUNITAS!

Amanhã, dia 22/11, vai rolar uma RODA DE CONVERSA sobre gênero e sexualidade com o Coletivo Fluidez às 15h30, na Faculdade de Letras, como parte da programação da Feira de Troca (de olhares).

QUEM VAMOS?!


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

COLETIVO FLUIDEZ no CINE CLUB


Giórgia Neiva e Matheus França debaterão no CINE CLUB, sexta-feira dia 08/11, às 19:00, na CEU I - Praça Universitária, o filme "KINSEY - VAMOS FALAR DE SEXO". E então, topa falar de sexo??

Todxs convidadxs!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Matéria no Jornal Samambaia

"O Coletivo Fluidez tem a proposta de discutir diversidade sexual dentro da UFG. A ideia é realizar ações para promover conhecimento e visibilidade à militância gay. 'A gente quer mostrar que, dentro da universidade, existe uma diversidade sexual que muitas vezes é apagada, anulada e violentada por práticas que são normativas', explica Matheus França, integrante do grupo" (p. 09).

Confira matéria completa no link: clique aqui

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

GRUPO DE ESTUDOS!

Por que se diz que as mulheres são mais dóceis, frágeis e sensíveis que os homens - que, por sua vez, supostamente são (ou devem ser) sempre viris, fortes, racionais? Por que mulheres quase sempre ainda ganham menos que homens ao exercerem as mesmas funções?

Afinal, por que ainda hoje as mulheres são vítimas de violência - a cada quinze segundos uma mulher é espancada no Brasil -, geralmente por maridos, namorados, ex-companheiros etc?

Enfim: Por que, ainda hoje, há desigualdades entre homens e mulheres?

Essas perguntas, e muitas outras, são abordadas no didático texto "Gênero: a história de um conceito", da antropóloga Adriana Piscitelli, que será discutido na próxima edição do Grupo de Estudos do Coletivo Fluidez. O texto está disponível no grupo do Coletivo Fluidez no Facebook.

Se essas questões te movem e te inquietam de alguma forma, venha discutir conosco!

Data: 11 de outubro, sexta-feira.
Horário: 17h
Local: Sala 104 da Faculdade de Educação (Campus I).