sexta-feira, 6 de junho de 2014

Nota de Apoio ao Evento Xereca Satânica

Sobre a matéria publicada em 03 de junho pelo jornal goiano Diário da Manhã sobre suposto “ritual satânico” a respeito de um evento intitulado “Xereca Satânica”, realizado na Universidade Federal Fluminense (UFF), nós, do Coletivo Fluidez, gostaríamos de nos solidarizarmos com as feministas da UFF e apoiar a perspectiva performativa como um ato político. O objetivo do apoio é principalmente evitar a perpetuação de preconceitos e deturpações acerca de manifestações artísticas e de cunho cultural, cujo cerne era essencialmente de protesto.

É necessário contextualizar o ato, que não se tratou de nenhum “comportamento da Idade das Trevas”, como pontuado por alguns veículos de comunicação, mas que foi realizado como protesto performático contra uma onda crescente de estupros no município de Rio das Ostras – a qual, inclusive, não ganhou espaço na mídia.  De acordo com informações circuladas na internet pelos organizadores e organizadoras do “Xereca Satânica”, o evento foi realizado por alunos e alunas do curso de Produção Cultural dentro da programação de uma disciplina cujo tema era Corpo e Resistência, que incluiu não somente a performance final, mas momentos de apresentações de seminários, discussões sobre as temáticas de opressões que as mulheres sofrem cotidianamente.   

Dessa forma, quando contextualizamos o ato e a performance em seu devido lugar, como uma manifestação sobretudo artística, remetemos a autoras como a filósofa feminista Beatriz Preciado, que nos lembra que “as práticas artísticas e políticas performativas não encontram seu lugar próprio no corpo individual, visto que são sempre uma transformação dos limites entre o espaço privado e o espaço público. A performance é sempre a criação de um espaço político” (PRECIADO, 2004, p. 9, tradução nossa). A estratégia de reapropriação da sexualidade feminina como um lugar de reinvindicação política e estética também não é novidade para autoras como Judith Butler (2002), que a denominará “inversão performativa do insulto” (apud PRECIADO, 2004, p.8). 

Lamentamos a deturpação dos fatos em prol de um sensacionalismo midiático, cada vez mais reiterado nos meios de comunicação e que em nada contribui para a reflexão crítica de sujeitos sociais. 

Texto escrito por Paula Nogueira (jornalista e pesquisadora de gênero e sexualidade). Edição: Coletivo Fluidez.

Referências bibliográficas
BUTLER, J. “Acerca del término queer” en: Cuerpos que importan. Sobre los límites materiales y discursivos del “sexo”, Trad. Alcira Bixio, Buenos Aires : Paidos, 2002

DIÁRIO DA MANHÃ: Festa na UFF será investigada pela PF por ter rituais de magia negra e orgias sexuais.
 Goiânia, 03 jun. 2014. Disponível em: <http://www.dm.com.br/texto/178945-festa-na-uff-sera-investigada-pela-pf-por-ter-rituais-de-magia-negra-e-orgias-sexuais>. Acesso em: 03 jun. 2014. 

PRECIADO, Beatriz. Género y performance: 3 episodios de un cybermanga feminista queer trans... Disponível em: <www.hartza.com/performance.pdf>‎.

sábado, 24 de maio de 2014

CONSUNI aprova uso de NOME SOCIAL na UFG

Dia 23 de maio de 2014 foi um dia histórico para aquelas e aqueles que lutam pelo combate às opressões de gênero e de sexualidade na Universidade Federal de Goiás, pois foi aprovado, por unanimidade, na reunião do CONSUNI a resolução que dá direito a pessoas travestis e transexuais a utilizarem nome social dentro da UFG. 

Esse direito garante que professores/as, técnico/a-administrativos/as e estudantes transexuais e travestis sejam chamados/as "oralmente pelo nome social, sem menção ao nome civil, inclusive na frequência de classe e em solenidades como colação de grau, defesa de monografia, dissertação ou tese, entrega de certificados e eventos congêneres, entre outras situações da vida acadêmica. Os documentos com efeitos externos, como histórico escolar e certificados, no entanto, serão emitidos com o nome do registro civil, já que a resolução é interna à UFG" (SITE UFG, 2014).

Sem dúvidas, uma grande vitória no âmbito da luta contra preconceitos, segregações e exclusões sociais. Parabéns a UFG!

Coletivo Fluidez. 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Chamada para Reunião do dia 23 de Maio de 2014



Pessoas, a reunião do CONSUNI será importantíssima, pois lá serão votados projetos muito importantes para o futuro da universidade, como, por exemplo, o de Nome Social e a normatização da Coordenação de Ações Afirmativas. Por favor, não deixem de participar.

Data: 23 de maio de 2014.
Local da Reunião: Auditório da Biblioteca.
Horário: 14 horas

Atenciosamente,
Coletivo Fluidez.

Coletivo Fluidez - Fluindo por todos os lados



Giórgia Neiva e Matheus França, membros da Comissão Acadêmica do nosso Coletivo Fluidez, publicaram um texto apresentativo do grupo na Revista Geração Z, que é voltada sobretudo para público juvenil. A importância da divulgação em revista de ampla circulação visa somar forças com pessoas engajadas nas lutas contra opressões de gênero e sexualidade. Vale lembrar que nosso grupo no Facebook acolhe quem se interessar, independente das distâncias e fronteiras geográficas e afins. 

Segue link que direciona à Revista Geração Z. Leiam sem moderação!

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